quarta-feira, 23 de março de 2011

Como certas bandas nos fazem sentir

The National


Adultez, maturidade, desemprego, desilusões, corações partidos de forma cirúrgica. The National te faz sentir como um pai de família de 38 anos, divorciado, com um ou dois filhos para criar, alguns outros problemas para contornar, mas que está com seu copo cheio com o melhor whisky possível numa noite soturna pensando "Eu fiz o meu melhor e é isso que me tornei hoje. Talvez eu devesse ter feito uma ou outra coisa diferente, mas aí eu deixaria de ser eu mesmo". Taí uma coisa interessante das músicas do The National: não existe arrependimento do que passou. Só uma reflexão que certas coisas não saíram do jeito planejado, que na verdade todo mundo está ferrado, cada um do seu jeito.

Portishead


Let's get it on, baby! Meus caros, existem poucas certezas nessa vida, mas uma delas é que Portishead te faz sentir o rei das fodas worldwide. O som da banda combina perfeito com uma putaria. Coloque "Glory Box" para tocar, apague as luzes e apenas espere que two become one. Pode ser meio clichê, mas Portishead desperta o luxúria e a lascívia de qualquer pessoa, até mesmo a Sandy. Te faz sentir sacana, te dá vontade de brincar com chicotes, facas ou nunchaco. Mas não perca o controle! Isso tudo pode machucar. Mas que Portishead é praticamente um viagra musical, isso é. E no final de tudo, você ainda pode colocar "It Could Be Sweet" ou quem sabe até mudar de artista e colocar Feist, para aquele momento de conchinha ou cucharita, como dizem na Argentina, ser ainda mais terno.

Qualque música Dance dos anos 90


Você está pronto para sair para a náite. Hoje você pode tudo, tu é o cara. Até a Britney Spears te passa confiança, aconselhando que você aproveite o máximo num clube cheio de pessoas bonitas e divertidas. Essa realidade é paralela, praticamente não existe, mas não importa porque essa música te faz sentir bem e dançar lembrando que tudo é possível porque there's a party tonight. Tudo que você precisa é apenas mais uma música na pista. DJ, toque Shakira and save my life. Double You lembra que as coisas eram fáceis e descomplicadas quando você tinha 14 anos e que ser feliz era bem simples. Por que hoje não?

Jens Lekman


Liberdade. Total falta de noção para dançar como um curupira que cheirou lança-perfume num campo de alfazemas da Noruega numa tarde de outono. Ninguém está te olhando e você pensa que até pode ser o namorado de mentira daquela sua amiga lésbica só para que o pai dela fique feliz e troque emails com você. Mas se algo dá errado na vida, o Jens deixa você achar que isso só acontece com a sua pessoa. Ninguém no mundo é mais azarado, mais injustiçado, mais mal amado que você e que mesmo assim continua sendo perfeitamente normal cantar letras como "I would cut of my right arm to be someone's lover".

Andrés Calamaro


Você é um poeta das ruas, com a pele curtida pelo sol e a voz rouca gasta pelo excesso de álcool, cigarro e mulheres. Ou seja, excesso de vida. Essa vida bandida te fez mais sábio, um tanto quanto dramático e consciente para poder aproveitar todo e qualquer momento de alegria. Sábio para não ligar que pensem que você é brega quando grita forte "Tengo abierto el mini-bar y cerrado el corazón", dramático para gritar a todos pulmões "Quiero vivir dos veces para poder olvidarte" e consciente para às vezes perder o controle com uma rima pobre mas eficiente: "Yo soy un Loco que se diò cuenta que el tiempo es muy poco". Calamaro te motiva a dar uma grande banana para o que os demais pensem. A vida é para ser vivida e não pensada. Pensar demais cansa e você precisa ser um pouco irracional e animal, mas sem nunca perder a pose.

Qualquer música em Francês


Escutar qualquer música em francês te dá vontade de fumar um cigarrinho na banheira, tomar uma bela taça de vinho e ler um bom livro, porque esses são os grandes prazeres da vida. Você ouve uma música da qual não entende praticamente nada, mas mesmo assim sente uma vontade urgente de pegar o primeiro voo para Paris, alugar um apartamentinho de merda só para poder fazer a sua arte: tirar fotos ou escrever um romance. Você se imagina passando dias totalmente solitários mas cheio de poesia francesa advinda das ruas. Por total acidente você encontraria uma moça de cabelos curtos, chamada Madeleyne, num café, que te apresentaria ao seu mundo parisiense, os castelos ao redor da cidade, um pic-nic numa ilha exclusiva do Sena, seus amigos franceses e todo "joie de vivre" que você nunca viverá. Logo vocês se apaixonariam e estariam sentados no apartamento enfumaçado dela, tomando mais vinho, fumando como se não ouvesse amanhã e escutando Edith Piaf porque afinal isso que é a vida.

3 comentários:

A-nah! disse...

Amé este post.

No sé si comparto lo de Portishead, me voy a bajar un disco, voy a llamar al vecino y voy a ver qué pasa. Jajajaja.

Mientras tanto y de regalo te dejo al gran Al Green (otro juego de palabras tonto, pero que funciona): http://www.youtube.com/watch?v=l73FkH3v7yg

;)

Leo Vinhas disse...

Maestro Calamaro, si! Y el te ha enseñado bien, Tulio!

claudemir disse...

Música francesa também é ótima para ter um pouco de nostalgia, afinal sempre teremos Paris.

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