Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de março de 2011

Como Alain de Botton pode mudar sua vida

"Há poucas coisas às quais os seres humanos se dedicam mais que à infelicidade. Tivéssemos sido colocados na Terra por um criador maligno para o único propósito de sofrer, teríamos boas razões para nos congratularmos pelas nossa resposta entusiástica à tarefa que nos foi dada. Sobram razões para o desconsolo: a fragilidade de nossos corpos, a inconstância do amor, a insinceridade da vida social, os compromissos da amizade, os efeitos mortais do hábito. Em face dos problemas tão persistentes, poderíamos esperar, naturalmente, que nenhum acontecimento fosse aguardado com maior expectativa do que o momento da nossa extinção".
Esse é só o primeiro parágrafo de "Como Proust pode mudar sua vida" do Alain de Botton.

É o terceiro livro que já leio do cara e farei o possível para ler todos que puder, por mais que muitas vezes haja um cheirinho de auto-ajuda de grife em seus escritos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ir-se não é nada

"Ir-se não é nada, a coisa é dar-se conta de que há uma mecânica de chiclete no processo, pois é como se você ficasse aderido e aos poucos vai-se estirando". Ou quando diz: "apenas a contemplação de um envelope, ou o cheiro do papel, me devolvem a chicotadas a Buenos Aires."

Do novo livro póstumo do Cortázar, que é uma troca de cartas com seu velho amigo.

Daqui.

sábado, 12 de março de 2011

O Lado Fatal

Não digam que isso passa,
não digam que a vida continua,
e que o tempo ajuda,
que afinal tenho filhos e amigos
e um trabalho a fazer.
Não me consolem dizendo que ele morreu cedo
Mas morreu bem ( que não quereria uma morte como essa?)

Não me digam que tenho livros a escrever
e viagens a realizar.
Não digam nada.

Vejo bem que o sol continua nascendo
nesta cidade de Porto Alegre
onde vim lamber minha ferida escancarada.

Mas não me consolem:
da minha dor, sei eu.


Achei "O Lado Fatal" entre as dezenas de livros que estão na estante do meu apartamento aqui em Porto Alegre.

Não conhecia bem a história da Lya Luft e nem do que originou esse livro. São poemas fortíssimos e todos com a mesma temática: a morte do seu marido Hélio Pellegrino.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Melhores do ano - Literatura

O melhor livro que li no ano, uma espécie de retrato dos tempos que Vinicius de Moraes habitava o Rio da Prata.

Tive a oportunidade de conhecer a autora em Buenos Aires, bater um papo e saber muito mais sobre essa história belíssima.

O livro ainda não foi lançado no Brasil, mas é recomendadíssimo.

sábado, 27 de novembro de 2010

All my friends are superheroes


- Eu não quero um aspirador de pó. - disse a Perfeccionista.
- Eu não estou vendendo aspiradores.- ele respondeu. Sua voz era lírica, calma e reconfortante.
- O que você está vendendo?
- Estou vendendo amor. - ele respondeu.
A Perfeccionista se inclinou contra a ombreira da porta. Um cheiro de cigarros vinha de seu cabelo e suas roupas. Saiu da entrada da porta e indicou para que ele a seguisse para dentro da casa.
Na cozinha ele abriu seu case de amostras sobre a mesa. Puxou as pernas de sua calça enquanto sentava. Cruzou a perna direita sobre a esquerda, revelando suas meias xadrez.

- Em que tipo de amor você está interessada hoje? - ele perguntou.
- Que tipos você tem?
- Bom... Tenho o amor que você quer, o amor que você pensa que quer, o amor que você pensa que quer mas percebe que não é quando finalmente o consegue...
- Esse deve vender bastante.
- Vende sim.
- O que mais você tem?
- Tenho o amor que é seu enquanto você faz o que te mandam, o amor que preocupa porque não é bom o suficiente, o amor que preocupa porque será descoberto, o amor que tem medo de ser julgado, o amor que é quase - mas não por um pouquinho - forte o suficiente, o amor que faz você sentir que eles são melhores que você...
- Chega!
- O quê?
- Não quero nenhum desses tipos.
- Que tipo você quer?
- Quero o tipo do que eu tinha com o Tom.

É por falas assim que estou adorando esse livro "All my friends are superheroes". Esse texto acima é uma tradução livre minha de um pedaço do capítulo nove (o livro ainda não foi lançado em português) e posso te garantir que essa nem é a melhor parte de tudo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Enquanto isso...

... na Oficina de Criação Literária

Transformo tudo em silêncio
há mais em mim do que me basta
as mesmas mãos que ferem a alma
me estendem o ópio. Meu alimento

* Da Dona Consolação, uma senhora colega de curso.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Curso de poesia da vida

Essa segunda, junto com o casal maravilha Zeni e Vanessa , comecei um belíssimo curso de Criação Literária com o Nelson de Oliveira aqui em Curitiba. E o melhor, é de graça.

Além de toda técnica na escrita que quero melhorar, já percebi que o que mais vou absorver desses encontros são as experiências de pessoas totalmente diferentes de mim.

Ontem, no primeiro exercício, cada um tinha que entregar seu RG para outro aluno e escrever uma mini-biografia sobre o dono daquele documento estranho que chegava às suas mãos. Transformei o colega do lado num lobisomem curitibano, mas o que gostei mesmo foi o que a dona Nadjéia contou ao ver meu RG.

Na história dela, que é uma vovó polaca e tem um nome que significa Esperança, eu era um menino das alterosas de Minas Gerais que logo ao nascer falou um palíndromo, depois crescido começou a pirar em anagramas para mais tarde se tornar um apaixonado pelas letras. Ela leu tão empolgada e com tanta efusividade essa vida de mentira que achei lindo. É bizarramente interessante quando as pessoas falam de nossas vidas para a gente, muito mais ainda quando se trata de uma realidade paralela do além. Fiquei um pouco com inveja da minha vida criada pela Esperança polonesa já que nela tudo parecia ser mais poético.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

No tan Buenos Aires

Acho lindo essa coisa de certas cidades terem poemas e músicas dedicadas a elas. Aquela coisa de você andar em Ipanema e imaginar a garota que ali andava ou tentar sentir algo de diferente quando você cruza a Ipiranga com a Avenida São João.

Curitiba tem pouco disso, afinal não é uma megalópole do mundo. Temos trocentos livros do Trevisan, seus vampiros, e várias coisas do Leminski como "Curitiba é um copo vazio cheio de frio".

Hoje ouvi uma sobre Buenos Aires que assino embaixo.

Buenos Aires es mía
y no la cambiaría
me la quedo con toda su porquería
por eso vuelvo, revuelvo
un par de veces al año

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

José e Pilar


Muito se sabe e se fala de José Saramago, mas o que poucos conhecem é Pilar, a outra metade da laranja dele. Confesso que só sabia que além de esposa ela também traduzia seus livros pro espanhol, nada mais.

O documentário José e Pilar mostra toda a vida do casal, suas viagens, discussões e romance. Além poder ver como era o dia a dia de um Nobel da literatura e todo seu processo criativo, nos deparamos com a fortíssima figura de sua esposa Pilar. Ela organiza sua agenda, o ajuda a vestir, responde entrevistas e o representa de forma única, sem se rebaixar, sem se sentir menor e não sendo em nenhum momento aquela mulher submissa que está a serviço do marido.

E claro, não são poucos os momentos de xuxuzices do casal e as declarações de amor de Saramago para sua musa.


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Era uma vez...


"A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões para isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar nem uma mosca, porque escrever dá importância, porque para chamarem alguém de escritor não é preciso escrever bem, mas para chamarem de filho-da-puta não importa se sua mãe é uma santa, porque tem medo de ficar à deriva sem fazer nada, porque não pode beber toda noite, porque ama a Deus mas odeia as sociedades sem fins lucrativos, porque não tem namorada, porque não há emoções mas insultos, porque na sua casa não tem televisão e o rádio quebrou, porque a mulher do vizinho é gostosa, porque tem medo de ficar careca e por isso evita os espelhos. A gente se mete a escrever porque não se atreve a assaltar um supermercado, porque ama a mulher e ela é namorada do garoto esperto da rua, porque não há revistas pornográficas suficientes, porque quer fazer alguma coisa além de cagar e se masturbar, porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada, porque não vale um tostão furado, porque apanha lá fora, porque sua mãe grita o tempo todo, porque não há ilusões nem luz no fim do túnel, porque sua mãe grita o tempo todo, porque sua mente voa baixo e nunca será outro Cioran, porque não tem coragem para saltar, porque não quer a esposa feia que merece, porque tem medo de morrer sem ter comido um belo cuzinho, porque não tem pai, amigos, nem fortuna, porque não tem o jeito de cuspir do Clint Eastwood, porque se paralisa entre uma e outra intenção, porque era uma vez o amor mas eu tive que matá-lo.

O bom é que escrever não serve para nada daquilo que a gente quer. Escrever é um limite, uma dor, um defeito a mais. O bom é que depois de escrever a gente se sente péssimo. Nada mudou, tudo continua no seu lugar (menos você, maldito cabelo), Pelé não volta para o campo. O ruim é que você escreve e o Pambelé cai na lona espancado por um gringo, um maldito gringo que esteve preso por bater na mãe. O ruim é que Pambelé não é a mãe do gringo e – por mais que você escreva – continua caído. O bom é que você escreve e continua sonhando com a mulher do vizinho, sonha que a agarra pelas orelhas e crava-lhe a rola. O ruim é que escrever não cura seus desejos assassinos, que assaltar um supermercado continua sendo o seu objetivo impossível. O ruim é que ainda deseja um amor inesquecível. O bom é que escrever é outra forma de cagar e se masturbar. O ruim é que você lê os grandes autores mas só Bukowski lhe diz alguma coisa. O ruim é que um dia a garota bonita toma conhecimento que você escreve e não deixa que lhe meta fundo, até o outro lado da morte. O ruim é que escrever serve para tudo aquilo que você não quer."

Texto do Efraim Medina Reyes, colombiano que escreveu o livro "Era uma vez o amor mas tive que matá-lo".

Precisa dizer mais?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lines for winter

Tell yourself
as it gets cold and gray falls from the air
that you will go on
walking, hearing
the same tune no matter where
you find yourself --
inside the dome of dark
or under the cracking white
of the moon's gaze in a valley of snow.
Tonight as it gets cold
tell yourself
what you know which is nothing
but the tune your bones play
as you keep going. And you will be able
for once to lie down under the small fire
of winter stars.
And if it happens that you cannot
go on or turn back and you find yourself
where you will be at the end,
tell yourself
in that final flowing of cold through your limbs
that you love what you are.


Além de ser um dos tradutores da obra do Drummond pro inglês, Mark Strand é um poeta foda. O clima que ele cria com seus textos são únicos, pelo menos pra mim.

"Lines for winter" é um dos poemas que mais gosto dele, assim como Coming to This e Keeping Things Whole.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Deu no New York Times

Só a capa que podia ser mais bonitá, né não?

Ainda estou na página 110, de um total de 416, mas já percebi que "Deu no New York Times", do Larry Rohter, não é apenas ótimo porque dá uma amostra de como o Brasil é visto lá fora. O livro traz um pouco da história do jornalista e revela insights que fogem da obviedade que só um estrangeiro numa cultura diferente pode ter. Ou aquelas coisas simples e banais para nós, que aos olhos de um alien são todo um tratado antropológico

O que o ex-correspondente do New York Times no Brasil diz sobre certos dogmas brasileiros é de impressionar. O exemplo do carnaval, que ele diz claramente que não é o maior espetáculo do mundo e ponto, é extremamente lúcido.

Porém o que me pegou mais até agora na leitura é o que ele diz sobre a vida de um estrangeiro, que ao contrário do que muitos pensam, não é nada fácil. Larry aponta três estágios de viver numa sociedade que não é a sua: deslumbramento, desilusão e resignação.

Vivi muito desses estágios na Argentina e vi o mesmo com muitos amigos brasileiros de lá. Era muito comum eu dizer que todos no começo vivem uma "lua de mel com a Argentina". Aquela fase que você mais parece um turista na cidade onde mora, vendo graça em qualquer bobagem, achando tudo diferente e sensacional. A vida cultural, a cidade belíssima, as mulheres hermosas uma hora começa a virar normal e depois você enche o saco. Ou se resigna ou passa raiva. Não é a toa que o Larry Rohter diz que viver numa sociedade que não é a sua é um trauma.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Le Love

Rude, esse era o apelido que recebi no primeiro ano da faculdade. Tudo culpa de um tapa, de brincadeira, que dei na cara de uma menina depois dela ter me dado um igual. A coisa do apelido durou pouco tempo, mas algumas pessoas ainda lembram disso. Dez anos depois, encontro um professor na rua aqui em Curitiba, e ele me disse "Rude!".

Era tudo uma grande falácia, já que não tenho (quase) nada de rude. Às vezes me sinto uma manteiga que esporadicamente se derrete e se esparrama pelo chão. Tanto é que ultimamente me peguei lendo muitas coisas sobre this crazy little thing called love.


Conheci esse o "Le Love" e virei fã. É uma espécie de blog colaborativo sobre histórias de amor, sejam bonitas, impossíveis ou trágicas. Só fui ficar sossegado depois de ler quase todo o arquivo do site. É interessante notar tantas similaridades com as nossas próprias histórias, comportamentos que se repetem, clichês que estão mais vivos que nunca em qualquer lugar do mundo e ver diferentes maneiras para descrever a mesma coisa: Le love.

Outra coisa foi esse livro aí de cima. Tem nome de romancezinho barato, capa de auto-ajuda, mas engana bastante. É muito mais que isso. Desde que vi a resenha dele no Scream & Yell fiquei tentado a comprar. Alain de Botton, o autor, é algo como um filósofo light para as massas, que agrada tanto os letrados como os leigos como eu. Um best-seller com um pouco mais de conteúdo que os outros.

Falando em primeira pessoa, ele conta a história de um romance desde seu início ao fim. Como poucos ele traduz em palavras, num misto de filosofica de boteco e filosofia séria com citações de Freud, Nietszche e Kant, as inúmeras dúvidas, pensamentos e medos que todo homem tem quando tenta seduzir uma muchacha. É uma ótima sensação se identificar em cada detalhe, cada bobagenzinha que você quer interpretar o significado e com isso percerbermos que não somos os únicos loucos nesse mundo.

O início do história, quando o casal se conhece no avião é o melhor do livro. O cálculo das probabilidades que o cara faz para ver quais eram as chances de uma pessoa sentar do seu lado num vôo Paris - Londres é ridículo e genial. O cara usa a matemática e calcula a quantidade de vôos, número de assentos, horários e chega numa equação que é igual a probabilidade de você ganhar na mega sena de tão impossível.

Existe o destino mesmo ou tudo é só resultado de uma equação de probabilidades?

Haja corazón, meus caros!

segunda-feira, 15 de março de 2010

No meu lugar

Às vezes acho que devo me colocar no meu devido lugar e parar de tentar ser quem eu não sou.

Fico tentando pagar uma de que sou um ávido leitor de livros, que escuto todas as últimas tendências da música e do cinema, mas é tudo uma farsa, um engodo. Gosto mesmo é do pop, ou talvez daquilo que fica ali no meio do caminho pro pop, um semi-pop.

Já tentei vários clássicos e fui um verdadeiro fracasso. Uma amiga me deu de aniversário faz uns anos um livro do Dostoiévski. Já tentei terminar o livro umas trocentas vezes. Sério! Fico com a consciência pesada de não ter lido inteiro um livro que foi presenteado e de vez em quando sempre volto e insisto mais um pouco com a leitura. O resultado é sempre o mesmo: largo mão.

Já passou da hora de eu perceber que sou um ignorante. Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém! Já li vários livros de auto-ajuda e curti muito, assim como a biografia do Paulo Coelho que é sensacional. Não sou erudito e ponto. Não adianta mais insistir.


Exemplo disso é que devorei em três dias o tal "Guia politicamente incorreto da história do Brasil". Um ótimo e bem-humorado livro que está na lista dos mais vendidos do Brasil faz um tempo. A leitura flui, os temas são interessantíssimos e o autor é muito bem humorado.

O autor, que por algum tempo estudou comigo na mesma Comunicação da UFPR, vai destruindo vários mitos da história brasileira, tacando lama em vários heróis da pátria como Zumbi, Aleijadinho e Santos Dumont. Sabe lá se tudo isso que ele escreve é verdade, mas haja referência bibliográfica de teses, estudos e tudo que pode embasar as informações ali contidas.

Além do mais é ótimo para conversas de bar, já que você vai ficar parecendo todo inteligentão e cheio de informações novas para os seus amigos. O capítulo sobre o Acre no livro é simplesmente surreal de bom.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...