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terça-feira, 10 de maio de 2011

Amor em tempos de Seu Madruga



No capítulo de hoje de Chaves, uma briga separa o casal Dona Florinda e Professor Girafales. Seu Madruga, o eterno romântico, é chamado para ajudar.

Amor em tempos de Cartola



Acho que só vivendo certas letras para entendê-las realmente, certo?

terça-feira, 26 de abril de 2011

João Bosco e Vinícius - Constelações



Vamo parar de ser alternativinho e ser do povo por um momento! Um dia o Murilo Basso, jornalista respeitável (sic) que escreve em Rolling Stone, Billboard e Contigo, me apresentou o sertanejo universitário de qualidade e acabei gostando de verdade de certas duplas, mas nenhuma delas bateu João Bosco e Vinícius. São muito ídolos! Se você parar para ouvir com atenção, tem muito pouco mesmo de sertanejo de raiz ali. É pop mesmo! Altos efeitos de guitarras, solinhos e uma bateria efusiva em certos momentos.

Inclusive esses caras foram responsáveis pelo terceiro melhor show que vi esse ano, lá em Guaratuba, litoral do Paraná. (o primeiro e o segundo foram do The National em Buenos Aires, óbvio).

A dupla, que você pode conhecer pelo "Chora me liga" e inúmeros outros sucessos, vai lançar o disco "Constelações" em breve no mercado, mas as músicas já vazaram aí na internet.

O novo cd, como sempre, é uma avalanche nonstop de hits. O carro-chefe é a canção de mesmo nome, mas além disso eles tem músicas com participações Jorge e Mateus e do Bruno e Marrone, além da ótima "Louca Sentimental". Fiquei aqui pensando e cheguei a conclusão que é exatamente desse tipo de mulher que curto: doida e sentimentalóide.



Seu temperamento não é normal. Às vezes louca, às vezes sentimental.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Te odeio, isso é o amor


Quando gostamos de alguém corremo o sério risco de não gostar mais dela um dia. Gostar? Ok, deixemos o eufemismo pra lá. Quando amamos alguém corremos o sério risco de não amá-la um dia.

Existe o risco de encontrar inesperadamente essa pessoa na rua e ter que correr e mudar de calçada só para não ter que falar alguma coisa, fingindo que aquele amor nunca aconteceu. O engraçado é que isso não acontece quando esbarramos com um amigo que não vemos há tempo. Quando encontramo um amigo da infância, por exemplo, nós gritamos de alegria, abraçamos, damos risada e mostramos um interesse gigante e real em saber o que ele anda fazendo da sua vida.

Com as pessoas que um dia foram seu amor, pessoas que em algum momento tiveram um passe-livre para todos os detalhes mais íntimos da sua vida, essa empolgação raramente existe genuinamente. Podemos perguntar sobre o trabalho atual dela, das suas viagens, sobre sua família, mas sua mente não vai processar tudo direito. Essas pessoas só podem existir em preto ou branco na nossa cabeça, ou tudo ou nada. Abraçamos efusivamente aquela pessoa que jogou Super Nintendo em 1994 com a gente e ignoramos aquela pessoa que abraçamos no meio da noite quando ela acordou numa crise de choro dizendo que tudo estava errado na vida dela e o que mais queríamos naquele momento era ajudá-la, ser um super-herói para salvá-la daquele momento.

Por que nos apegamos a certas pessoas e nos forçamos a esquecer outras? A parte mais difícil do amor sempre é lidar com os extremos. A rapidez que podemos ir de "Me abraça essa noite" para o "Vai pra PQP".

Temos uma talento único em odiar quem já amamos. O ódio é pura paixão, assim como o amor é paixão. Deveríamos saber disso ao assinarmos o contrato amoroso: "Estou ciente do fato que amar você possui um potencial enorme para a tragédia. Declaro que conheço as possibilidades enormes de te odiar um dia até o meu mais profundo ser".

De alguma maneira o ódio é um grande elogio. Porque no momento exato que você consegue cruzar com sua ex na rua ou no supermercado e dizer um "oi" sem problemas, você já superou tudo. O amor agora morreu ou está alojado num compartimento mais saudável do seu cérebro. Isso é ótimo, mas significa que tudo já é passado. Tecnicamente é isso que deve acontecer. É o caminho que todos os relacionamentos devem seguir. Porém renunciar a essa paixão e a esse ódio às vezes pode ser a coisa mais difícil a ser feita. Muita gente prefere seguir odiando porque acham que às vezes é melhor se apegar a esse sentimento ruim do que não sentir nada.

Título tirado dessa música do Ira!

Esse texto é uma tradução livre do ótimo Tought Catalog.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Todos somos meio dementes



Fico feliz de constatar que o ponto de demência de alguém seja a fonte de seu charme.


E eu vou lá discordar do Gilles Deleuze?

terça-feira, 29 de março de 2011

Junkie Emocional


Todo mundo curte sentir adrenalina invadindo seu corpo, aquele sentimento extremo que faz você se sentir vivo pra caramba e que tudo é possível. Tem gente que pula de aviões, outros de bungee jump, alguns disputam rachas de carro e outros mesmo se perdem nas drogas. Às vezes acho que muita gente, eu mesmo incluído, acaba buscando essa adrenalinas nas emoções. E elas são muitas, nos alerta Roberto Carlos.

Quando estou "drogado" por alguém sinto que posso qualquer coisa, Leonardo di Caprio gritando "I'm the king of the world" em Titanic. Adoro meu trabalho que me faz feliz, me sinto bem-sucedido, meus amigos me amam e me dou bem com todos e me orgulho muito da vida que levo, mesmo que more num apartamento horroroso. Resumindo de um jeito bem brega: a vida tem mais cor. Tudo isso porque sinto algo por alguém e é recíproco. Parece que me vejo com os olhos dessa pessoa e me acho bonito, inteligente e super engraçado. Algo como aquela cena de "500 dias com ela", quando o cara acaba de acordar ao lado da Zooey Deschannel e começa a andar na rua dando oi pra todo mundo e dançando com passarinhos pousando na sua mão (vídeo lá embaixo). Sabe? Parece que o mundo todo é meu melhor amigo. É bem assim que me sinto. Um tsunami de alegria destruindo qualquer mau-humor na minha frente.

Mas aí quando esse tsunami vai embora, e comigo ultimamente sempre vai, me sinto destruído, um viciado em heroína saindo do rehab todo suado e com olhos esbugalhados. Acaba a fase em que você se sente galã poderoso. Agora você se sente o cara mais horrível, sem graça, injustiçado, sem talento e podre da humanidade (Coisas que temos plena consciência que não são reais quando você não está drogado de emoções, mas que mesmo assim você não deixa de pensar) Não, não quero me sentir assim, mas não posso negar que isso me dá inspiração, me faz me sentir vivo, mesmo querendo morrer. E muitas vezes me pergunto se prefiro estar assim podre, porque pelo menos estou sentindo alguma coisa, do que estar meia-boca levando dias mais ou menos totalmente sem graça.

A solução para isso desconheço, mas imagino que antes de tudo é não se "drogar". Conhecer alguém devagar, aproveitar aquelas leves empolgações que o contato humano pode gerar sem exageros, por mais que você adore altos e baixos e o "high" que esse sentimento pode trazer que é melhor que qualquer droga inventada. E claro, não tentar se julgar segundo o que a outra pessoa vê, mas ser mais seguro de quem você é pelos seus próprios olhos. Ficar feliz e aproveitar os momentos mais normais, mundanos e comuns com alguém, sem demasiadas expectativas. Sentir-se sim vibrante e cheio de vida todo santo dia, mas não somente quando você está super bem ou na pura merda. Porque mesmo nesses dias sem graça e ordinários ainda estamos aqui, ainda importamos e ainda estamos muito vivos.


domingo, 27 de março de 2011

Bored Couples

Casal entediado num barco entre a Finlândia e Suécia

Casal entediado na Finlândia

Casal entediado no Reino Unido

Mulher apreciando a bela paisagem da parede ao lado de seu marido em Paris

Às vezes a gente reclama do tédio, mas nada pior do que quando esse tédio tem companhia. Aí incomoda, aí te faz pensar um monte de coisas que talvez não sejam boas, aí te deixa para baixo porque você não consegue ter um momento divertido com fulano. Tédio bom e de qualidade, do tipo que te faz descansar e limpar a mente, é solitário e silencioso.

Talvez por isso me dá uma agonia enorme ver essas fotos da série Bored Couples, do fotógrafo Martin Parr. Elas são de 20 anos atrás e mostram casais que tem todos uma coisa em comum: uma cara enorme de cu. Gente com semblante que comeu e não gostou, pessoas numa dança que mais parece feita por robôs, casais que não se olham mesmo estando sentados frente a frente num restaurante, indiferença total e irrestrita. Um momento de plena solidão a dois.

As poses não foram forçadas e até mesmo o fotógrafo diz que não sabe se os casais realmente estão cheios de tédio. Mas que parecem, parecem muito!

Mais das fotos entediadas aqui.

Site do fotógrafo: http://www.martinparr.com/

quinta-feira, 24 de março de 2011

Enquanto isso no Gmail.

Troca de emails real que aconteceu comigo hoje. Não tenho a mínima ideia de como o cara achou que eu fazia simpatia.


Olá! Eu gostaria de saber quanto custa e o que é necessário para fazer essa "amarração"!

Atenciosamente, Gustavo!

Oi Gustavo,

de qual amarração exatamente você está falando? Tudo depende do caso.

abraço,

É uma ex-namorada que eu não consigo esquecer!

Oi Gustavo,

Conte mais do caso para eu ficar sabendo.
Você quer esquecê-la ou trazê-la de volta?


Eu quero tê-la de volta!


Já falou isso pra ela? Já disse claramente o que vc quer e sente?
Faça a sua parte. Faça tudo o possível para não se arrepender mais tarde.
Depois sim apele para amarração. É a última saída.

Eu já coneversei muito com ela.... mas ela está muito insegura por algumas coisas que aconteceram enquanto estávamos juntos, e por isso ela resolveu terminar o namoro!

Então preste atenção


Escreva o nome da pessoa num papel branco, à meia noite de uma sexta- feira, enterre o papel todo dobradinho debaixo de um pé de chorão, pense firme no seu retorno e urine em cima.

Ok.... obrigado, mas quanto você vai cobrar por isso?

Primeiro faça e veja os resultados. Depois você diz se surtiu efeito e paga o quanto seu coração mandar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Tipos de pessoas para você sair.


Você pode sair com alguém no verão e, meu amigo, no verão não existem regras nem cobranças. Essa pessoa pode não ter nada a ver com julho, quando você está usando casacos grossos e espirrando fumacinha pela boca, mas ela pode se encaixar perfeitamente no finalzinho de dezembro ou em janeiro quando rola fácil um convite para a piscina do prédio do seu pai. Seus corpos vão se grudar de uma maneira impensável no calor e estar juntos pode ser até meio nojento algumas vezes com tanto suor, mas vocês ficarão desse jeito mesmo assim. Estar numa vibe fim de ano ou férias é perfeito, porque afinal tudo isso nao passa de uma pausa na sua vida real. Um período do ano em que você usa pouca roupa, bebe cerveja a qualquer hora do dia e não se preocupa em acordar cedo. Sua pele vai ficar morena, a areia vai grudar no suor de vocês e o cheiro de Sundown vai ser forte. Mas no fundo você vai achar isso muito sexy. Quando começar a época dos casaquinhos indies da Adidas você já estará de volta ao trabalho, seu amor de verão irá aos poucos desaparecer e o romance permanecerá como uma singela lembrança de um fim de semana perdido na praia. Mas está ótimo assim. Quem ama no verão tem uma dificuldade enorme de amar em outra estação.

Você pode sair com alguém que gosta muito mais de você do que você gosta dela. Ela vai te jogar um olhar de completa adoração, com um queixo caído que te fará sentir o cara mais charmoso da face da terra. Você será mais focado no trabalho, terá mais base e essa pessoa te ensinará como se sentir adorado. A balança do amor e dedicação entre vocês será claramente desigual, mas você vai tentar te convencer que está se apaixonando aos poucos por ela, bem aos poucos mesmo. Depois de um tempo perceberá que não está realmente se apaixonando e que isso não vai acontecer mesmo. Nada que a pessoa fizer vai mudar isso. Daí então começará a se sentir culpado e uma tristeza se instalará dentro da sua pessoa. Você olhará para aquela cara de gatinho do Shrek com um sorriso super doce da moça e terá vontade de cuspir nela. Suas atitudes começarão a ser de um completo canalha e você comecará a se odiar por não conseguir corresponder a tanto amor e doçura. Há certas pessoas que estão destinadas a ter seus corações destroçados e outras a destroçar corações. Você nunca sabe o que é pior.

Você pode sair com alguém que te trata como merda, uma sociopata que tem uma energia intoxicante que de alguma maneira te suga. Depois de alguns meses você estará completamente perdido num meteoro da paixão, criando desculpas para o péssimo comportamento e atitude dessa pessoas e falando para os seus amigos "Não é isso. É que vocês não conhecem ela como eu". Mesmo sabendo que isso é uma grande mentira, aquelas raros momentos de ternura te envolverão como nunca, fazendo tudo valer a pena. Com sorte você vai acordar para a vida e ficar cansado de tanto sofrimento e manipulação emocional. Alguns dos seus amigos contarão histórias do tipo "Todo mundo, em algum momento da vida, já teve alguma pessoa assim". Provavelmente isso é dito para te fazer sentir melhor, mas não vai adiantar. O melhor de tudo é que você nunca se culpará pelo fim do caso. A culpa sempre é dela.

Você pode sair com alguém que é muito, mas muito mais atraente que você e se maravilhar com aquele corpo perfeito e a pele de porcelana. A clávícula dela é tão bonita, não é? Ame-a loucamente principalmente quando ela estiver pelada que ela te amará mais quando você estiver vestido. Você será o mais inteligente do casal, o que tem mais carisma, empatia, amigos e jogo de cintura, mas no fim quem acabará se sentindo que nunca foi adequado é você mesmo. Quando saírem juntos todo mundo vai olhar e pensar "O que aquela deusa está fazendo com aquilo?". Ao menos é isso que você vai pensar que vão estar pensando sobre você. Sair com alguém muito mais bonito que você te fará uma pessoa totalmente paranóica e insegura. Mesmo que a bela pessoa da relação te faça juras de amor, isso não será o suficiente e você terminará tudo porque não quer se sentir como o corcunda de notre dame ao lado dela. Você sentirá saudades eternas daquela maravilhosa clavícula

Você pode sair com alguém que nunca se apaixonou antes. Ela vai te lembrar constantemente daquele sentimento adolescente que é ótimo e inebriante. Ela dirá coisas bizarramente intensas bem rápido, sem perceber o quanto aquilo é sério e comprometedor. Também fará grandes gestos de amor para você porque, afinal, ela ainda não sentiu o gosto amargo de ter um amor em ruínas. Ela não descobriu o quanto as pessoas podem ser cruéis, egoístas e como elas podem te decepcionar de maneiras nunca antes pensadas. Cedo ou tarde você perceberá que será um professor nos assuntos de decepção e instabilidade para ela. Quando você der os mínimos sinais de desinteresse, ela começará a captar todo seu azedume. Num tipo de osmose do amor, no fim essa pessoa vai acabar herdando um pouco da sua amargura, decepção e descrença nas relações humanas.

Você pode sair com alguém que é certo para você. Ela terá uma clavícula normal, será estável, já foi apaixonada antes, já viveu coisas boas e coisas ruins, tomará conta quando você estiver doente, de vez ou outra será irônica de um jeito agressivo, te decepcionará, te amará, te odiará mas te amará de novo mais ainda. Você não vai se preocupar sobre quem é o mais bonito ou qual ama mais da relação. Isso apenas não vai passar na sua cabeça e você nem vai perceber isso. É aí que a coisa tem chances de dar certo. Você não se preocupará, apenas pensará em coisas bonitas.

As pessoas com quem você sai ou namora não precisam ser necessariamente as pessoas que você ama. E está ótimo assim. É tanta gente diferente que passa na sua vida que é possível criar várias teorias sobre tudo. Você sai com alguém que te trata mal quando você se odeia? E depois você sai com alguém que te adora só pra se sentir amado e não amar de volta? O objetivo é estar bem consigo mesmo, sem maiores dramas ou traumas para daí sim gostar de alguém só porque essa pessoa é adorável, adora falar das mesmas coisas que você e te faz feliz. É simples, não é? Te gosto, você gosta de mim. O fim.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Como ficar afim de alguém


Tenha uma vida tediosa, solitária, medíocre e sem grandes emoções. Um belo dia encontre uma garota bonita numa festa, no trabalho, no ponto de ônibus ou no mercado quando você está comprando pão integral. Dê aquela boa segunda olhada para ela, a olhada que definitivamente identifica a pessoa e te faz pensar: "mas peraí, é bem possível que eu te ache maravilhosa, queira dormir com você, me apaixonar e até casar". Tenha então alguns momentos de uma conversa nervosa e desnecessária do tipo: "Oi, você compra sempre isso? Recomenda essa marca de bolacha" ou "Você não pega tal ônibus todo dia às 8h30 no lugar tal?" ou "A gente começou a trabalhar no mesmo dia, não foi?". Faça uma troca de calorosa de sorrisos imbecis e injete muita adrenalina no seu corpo com aquela empolgação babaca.

Pergunte o nome dela (para depois procurar nas redes sociais) e o número do celular, para vocês trocarem sms. "Me manda uma mensagem então. Foi ótimo mesmo te conhecer. Tô indo agora. Não agora agorinha, mas daqui a pouco. Quer dizer...". Aí está outro detalhe essencial. Perca totalmente a capacidade de falar com um nível mínimo de articulação. Na verdade, comece a pensar se você se tornou um débil mental, mesmo que temporariamente.

Saia andando desse encontro casual se sentindo muito eufórico. Ligue para os seus amigos ou converse com eles pelo Gtalk sobre essa pessoa que, numa realidade paralela criada pela sua mente doentia, você poderia criar filhos juntos. Comece a se sentir uma derrota porque você não sabe nada sobre ela. Foram só seus neurônios e sua química mental que acharam legais como ela é e o que ela falou. É isso. Mas mesmo assim se segure a essa sensação parecida a uma viagem num ácido que você está tendo. Sinta-se um completo imbecil por descobrir que essa nova pessoa, que há poucas horas você nem sabia que existia, agora tem o poder de te deixar extremamente feliz ou mais louco que o Bozo.

Comece o doloroso e aterrorizante jogo do SMS. Escreva sabendo que, a partir do momento que você enviar a mensagem, gastará todos os segundos seguintes obcecado por descobrir se ela vai responder ou não. O texto do SMS precisa ser amigável, mas não desesperado. Faça uma referência engraçadinha a algo que vocês conversaram antes e deixe claro que você gostaria de vê-la novamente. Consulte uma manada de amigos sobre a quantidade de vírgulas usar e quais as palavras certa para fazer uma mensagem de texto perfeita. Coisas como "É melhor dizer que 'foi ótimo conhecer ela?' ou devo dizer apenas que foi 'legal conhecê-la?'. Qual soa melhor?". Aperte logo "Enviar" e transforme-se automaticamente numa pilha de nervos ansiosos.

Passe quatro horas sem nenhuma resposta. Fique nervoso, histérico, louco, beba muito café, chame um amigo para sair e tomar uma cerveja, mas não deixe de checar seu celular loucamente a cada 2 minutos. Sinta o telefone vibrar e tenha a mesma emoção de quando o Brasil ganhou o penta. Descubra depois que era apenas o Itaú avisando que receberam o pagamento do seu cartão de crédito. Responda a mensagem como um lunático "PORRA ITAÚ, NÃO ME FODE".

Oito, nove, dez hora passarão sem resposta. Vai ser hora de chamar uma cúpula de amigos num bar ou numa janela do MSN para discutir o que aconteceu. "Talvez ela esteja trabalhando. De repente ela esqueceu o telefone quando foi almoçar com a vó. Quem sabe ela foi sequestrada. Numa dessas fui burro e anotei o número errado dela. Talvez". Tome Rivotril para se acalmar e dormir. No dia seguinte acorde meio zonzo e perceba que há uma nova mensagem de texto no ceu celular. É da guria e ela diz "Hey! Bom te conhecer também. Como você está?". COMO EU ESTOU? SÉRIO? Estou esperando loucamente você responder meu SMS para me sentir vivo outra vez, sua anta! Sinta-se o gosto da derrota por perceber que em nenhum momento da mensagem ela mencionou ou concordou em querer ver você outra vez. Responda a mensagem com algo do tipo "Estou ótimo! Quais seus planos para essa semana? Vamos combinar alguma coisa?". Pense duas vezes e reflita se você não está sendo agressivo demais, mas mande a mensagem mesmo assim.

Daí começa a dolorosa dança do SMS. Ela responde suas mensagens um dia depois e com bem menos entusiasmo. Mostre a mensagem para seus amigos e pense coisas como "Ela deve estar bem ocupada. Ela deve ser ruim de sms, é isso!". Ria da sua situação freneticamente e faça todo mundo achar que você é um freak. Perceba que aos poucos seus amigos mais próximos vão querer te acalmar. E além de tudo, você nem conhece essa pessoa. Sério! Conscientemente você tem noção de como tudo é absurdo e foge da lógica, mas ela é uma moça bonita. Moças bonitas que são legais com você ganham da lógica, ganham da matemática, ganham até de mestrados, doutorados e até mesmo fazem você esquecer o quanto já se fodeu ao longo da vida. Moças bonitas > qualquer coisa.

Passe as próximas duas ou três semanas com o pensamento de que a pessoa que você conheceu rapidamente, transformando-a numa obsessão, apenas não vai rolar. Comece a ficar menos afim, pensar menos em como sua vida seria melhor com ela. Desinfecte-se. Faça terapia, acupuntura ou apenas fique bêbado para limpar seu cérebro. De forma devagar volte a ser uma pessoa normal e sana novamente.

Um mês depois encontre a moça no Facebook. Veja que ela gosta de Paulo Coelho, U2, Capital Inicial. Esqueça-a completamente.

sábado, 12 de março de 2011

Odair José Feelings



Felicidade não existe.
O que existe na vida são momentos felizes.

O Lado Fatal

Não digam que isso passa,
não digam que a vida continua,
e que o tempo ajuda,
que afinal tenho filhos e amigos
e um trabalho a fazer.
Não me consolem dizendo que ele morreu cedo
Mas morreu bem ( que não quereria uma morte como essa?)

Não me digam que tenho livros a escrever
e viagens a realizar.
Não digam nada.

Vejo bem que o sol continua nascendo
nesta cidade de Porto Alegre
onde vim lamber minha ferida escancarada.

Mas não me consolem:
da minha dor, sei eu.


Achei "O Lado Fatal" entre as dezenas de livros que estão na estante do meu apartamento aqui em Porto Alegre.

Não conhecia bem a história da Lya Luft e nem do que originou esse livro. São poemas fortíssimos e todos com a mesma temática: a morte do seu marido Hélio Pellegrino.

sexta-feira, 11 de março de 2011

The National em Buenos Aires.


O dia que você confirma que vai ver a banda que mais escutou nos último anos só pode ser um bom dia.

Melhor ainda saber que irei vê-los no La Trastienda, em Buenos Aires, um lugar lindíssimo para shows médios e palco de momentos sensacionais da minha vida. Foi lá, por exemplo, que vi o Jens Lekman, numa noite mágica onde o sueco pos aquela argentinada toda pra dançar ao som de suas músicas com letras bizarras. Uma apresentação perfeita, principalmente no timing em que vi o cara. Era apenas quem mais escutava na época e só isso bastava.

Às vezes me frustro um pouco porque o artistinha que vive dentro de mim quer escrever coisas legais, compor músicas decentes e fazer coisas diferentes. Mas quando escuto The National, Jens Lekman e o Andrés Calamaro parece que nada mais precisa ser dito. Tudo que sinto e penso sobre o mundo já está traduzido. Tudo está ali. Meu nível de adoração por esses caras beira a insanidade.

Sem contar é claro, a a legria de saber que passarei mais uns dias a Buenos Aires. É incrível como fico contente ao voltar pra essa cidade de que tanto quis fugir. A grande alegria está em saber que é só uma visita, que vou pra Buenos Aires mas volto. Aproveito o que ela tem de melhor apenas e deixo os seus problemas pros porteños que lá habitam.

Enfim, hoje, sexta-feira, está sendo um bom dia.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Facts about kissing



Aproveitando o fim do clima micareteiro de carnaval, alguns fatos sobre beijo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Coffee Confessions



Adorei esse séria The Coffee Confessions. E curti mais ainda ao ver que o primeiro deles, esse vídeo acima, é com a venezuelana que melhor fala português em toda Argentina: Ana Laya.

Me identifiquei um monte com o que ele falou, talvez por essa coisa de mudar tanto, não saber onde mais você é e estar cansado de tantas coisas.

O site do The Coffee Confessions:
http://thecoffeeconfessions.wordpress.com/

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Amor em tempos de Slavoj Zizek



Assume the mistake and go to the end, we have a name for this: Love. Love for me is a extreme violent act.

Sensacionais essa definição de amor do Slavoj Zizek, talvez o filósofo dos dias de hoje que mais curto.

Adoro o jeito caótico dele. Se você não conhece o Zizekão, sugiro começar pela Wikipedia.

Ou ver esse documentário sobre o cara, que está inteiro no Google Videos, em que descobri que ele já foi até candidato a presidente da Eslovênia em 1990.

Ou o ótimo Pervert's Guide to Cinema.

* O vídeo em aí em cima, em que Zizek fala do amor, foi gravado na frente da Biblioteca Nacional da Argentina, na Recoleta em Buenos Aires.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Por favor, mente

Gamei nessa letra do Tom Bloch!



hoje eu sou seu pra sempre
se eu perguntar
por favor mente
e fala tudo que você não sente
por favor mente
que a sua mão vai ser a minha luva
se a solidão é um dia de chuva
você vai me abrigar
sobre tudo, sobre todas as coisas
me ame até o fim da vida
mesmo que seja só até o dia chegar
depois talvez nem eu mesmo lembre
das juras eternas que a gente trocar
da cor preferida, ao nome dos filhos
e que eu já fui teu pra sempre
um dia eu fui teu pra sempre
eu já fui teu pra sempre
um dia eu fui teu pra sempre
um dia eu fui teu pra sempre
que eu já fui teu pra sempre
pra sempre...

O Leo Vinhas já tinha comentado, mas só agora fui ouvir com gosto.
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